Milícia de Itaipuaçu cria favela no Barroco em área alagada preservada
Ontem, no Programa na Pauta, o âncora Marcelo Cerqueira abordou a criação de uma favela no coração do Barroco, em uma área alagada e preservada da região de Itaipuaçu, em Maricá. A ocupação irregular, atribuída à milícia local, levanta preocupações ambientais e de segurança pública.
O Barroco é uma localidade que, apesar de manter características rurais, tem sido alvo de especulação imobiliária e da ação de grupos criminosos nos últimos anos. Sem fiscalização efetiva, a milícia aproveita para expandir seu domínio territorial, loteando terrenos e vendendo lotes a famílias de baixa renda como uma suposta oportunidade de moradia.
Segundo relatos de moradores da região, os valores cobrados pelos lotes variam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil, sem qualquer documentação legal. Após a compra, as famílias são obrigadas a pagar uma taxa mensal de “proteção” à milícia, sob ameaça de represálias. A promessa de infraestrutura básica — como água, luz e saneamento — nunca é cumprida, deixando os ocupantes em situação precária.
A área ocupada faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Maricá, caracterizada por manguezais, restingas e vegetação nativa que abrigam espécies como o caranguejo-uçá e aves migratórias. Para construir os barracos, os criminosos promovem desmatamento e aterro de áreas alagadas, o que descaracteriza o ecossistema e compromete a função ecológica da APA. Especialistas ouvidos pelo programa alertam que a degradação pode ser irreversível se não houver intervenção rápida.
A Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, já realizou vistorias no local, mas até o momento não divulgou medidas concretas para reverter a ocupação. O Instituto Estadual do Ambiente (INEA) também foi acionado e pode autuar os responsáveis por crimes ambientais. Já o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) avalia a abertura de inquérito para investigar os crimes de parcelamento irregular do solo e formação de milícia.
Marcelo Cerqueira destacou durante o programa que o poder público precisa agir de forma coordenada entre as esferas municipal, estadual e federal para conter o avanço das milícias na região. Ele também cobrou maior transparência sobre as ações de fiscalização e a destinação das áreas protegidas.
A população do entorno vive com medo. Além da degradação ambiental, há relatos de aumento da violência e da sensação de impunidade. Moradores que tentam denunciar sofrem ameaças e preferem não se identificar. Organizações da sociedade civil têm cobrado uma força-tarefa para desocupar a área e responsabilizar os criminosos.
O Jornal na Pauta continuará acompanhando o caso e trará atualizações assim que novas informações oficiais forem divulgadas.